Perder-se para encontrar
Há quem diga que uma boa viagem pede perdas : que o viajante possa se desorientar para, assim, topar com o inesperado . Descobrir exige ir além do que se conhece. Foi assim conosco. Digitamos “ Candelaria ” no aplicativo — pensando no bairro histórico do centro de Bogotá — e fomos parar bem longe , em Candelaria la Nueva , periferia pouco frequentada por turistas. O engano virou oportunidade: vimos um pedaço da cidade profunda e conhecemos um projeto social impressionante de transporte urbano — dezenas de teleféricos que sobem e descem os morros, conectando os bairros aos terminais rodoviários . Uma cartografia de cabos e cabines tecendo acessos e encurtando distâncias. A viagem é vida e morte ao mesmo tempo : estreias e despedidas, encontros e partidas. Há movimento, mas, acima de tudo, transformação — no que carregamos, no que abandonamos, no modo como chegamos e no modo como partimos....