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Perder-se para encontrar

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Há quem diga que uma boa viagem pede  perdas : que o viajante possa se  desorientar  para, assim, topar com o  inesperado . Descobrir exige ir além do que se conhece. Foi assim conosco. Digitamos “ Candelaria ” no aplicativo — pensando no bairro histórico do centro de Bogotá — e fomos parar  bem longe , em  Candelaria la Nueva , periferia pouco frequentada por turistas. O engano virou oportunidade: vimos um pedaço da  cidade profunda  e conhecemos um projeto social impressionante de  transporte urbano  — dezenas de  teleféricos  que sobem e descem os morros, conectando os bairros aos  terminais rodoviários . Uma cartografia de cabos e cabines tecendo acessos e encurtando distâncias. A viagem é  vida e morte ao mesmo tempo : estreias e despedidas, encontros e partidas. Há movimento, mas, acima de tudo,  transformação  — no que carregamos, no que abandonamos, no modo como chegamos e no modo como partimos....

Mesa-redonda com editores — UNIMINUTO - juntos somos mais fortes!

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Realizamos, na UNIMINUTO, uma mesa-redonda com professores que também são editores de periódicos acadêmicos. Tive a alegria de compor a mediação da conversa com a  professora Olivia Medeiros Neta (UFRN) , focando  estratégias de visibilidade, impacto e colaboração  para fortalecer nossa  rede de revistas acadêmicas . Ao longo do diálogo, foi ficando claro que  nossos desafios são muito parecidos : fluxo editorial e prazos, avaliação por pares, indexação, financiamento, comunicação científica multilíngue, formação de conselhos e ampliação de redes de autores/as e pareceristas. Essa constatação lembrou aquela ideia, atribuída a Freud, de que  quando a “miséria” deixa de parecer individual e se reconhece como coletiva, há algum alívio  — e, no nosso caso, também  aprendizado compartilhado . Saímos com uma síntese simples e potente:  juntos somos mais fortes  — para qualificar processos,  aumentar a visibilidade sem perder a missão públ...

Tensões e contradições em movimento

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  Chamou minha atenção a pressão demográfica na Isla de San Andrés. São cerca de  90 mil habitantes , sem contar o  fluxo constante de turistas  que chega o ano inteiro. Esse adensamento gera um  saturamento dos recursos . Dois pontos saltam aos olhos:  água  e  lixo . Mesmo com investimentos públicos em  dessalinização , a ilha segue no fio da navalha entre a demanda e a oferta de água. O manejo de resíduos também se torna um desafio numa área pequena e cercada de mar — tudo que entra precisa de destino, e nem sempre há para onde ir. Ao mesmo tempo, a  economia local  parece aquecida: comércio cheio, serviços girando, e  muitos voos  pousando e decolando diariamente. A ilha vive uma  contradição contemporânea : de um lado, a exigência do  crescimento econômico ; de outro, os  limites ecológicos  — poluição, esgotamento de recursos, impactos sobre o cotidiano dos moradores. Fica a pergunta que me acompa...

San Andrés — o funk brasileiro na ilha

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  As músicas brasileiras que mais ouvimos na Isla de San Andrés foram funk. É curioso como o funk do Brasil se internacionalizou — não só por ação de agentes culturais, imagino, mas por ressonância com gostos que já circulam pelas Américas e pelo mundo. Mais curioso ainda: durante muito tempo (inclusive eu!) tratamos o funk como “vulgar”, “pouco elaborado”, “não refinado”. Puro preconceito. Nas artes não existe “mais nobre” ou “menos arte” nesses termos. A história já mostrou isso: foi assim com o samba, com os violonistas, com as rodas de berimbau, com tantas esculturas e linguagens populares. Posso até continuar não curtindo o gênero, mas o funk brasileiro — tão peculiar — cumpre uma missão que dá orgulho nacional. Mesmo que não seja para todos.

Sobre perdão, reconciliação e esperançar: a experiência da UNIMINUTO – campus Perdomo

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Para compreender melhor a experiência vivida na UNIMINUTO – campus Perdomo, é importante contextualizar algumas questões históricas, culturais e políticas da Colômbia. De modo semelhante ao restante da América do Sul e da América Central, o país carrega as marcas de uma colonização violenta — não apenas no momento da chegada dos espanhóis, mas ao longo de todo o processo de ocupação posterior. As relações com os povos originários, as disputas por terras e riquezas naturais e a consequente exclusão das populações mais pobres deixaram cicatrizes profundas, que ainda hoje se fazem sentir. A esse quadro histórico somou-se um fenômeno particularmente complexo: o narcotráfico. A Colômbia é um dos maiores produtores de cocaína do mundo, e essa realidade desencadeou uma teia de disputas, controles e contracontroles, envolvendo inclusive forças paramilitares organizadas sob o próprio patrocínio do Estado. O resultado é uma sociedade profundamente marcada por tensões, deslocamentos e violências ...

Bogotá (ou melhor, a Colômbia)

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Bogotá — ou, por que não dizer, a Colômbia inteira — é um lugar cativante. Faltando ainda uma semana para voltar, já começo a sentir saudades. É um tipo de encantamento sutil, quase sub-reptício, que se infiltra aos poucos, sem alardes... exatamente como os colombianos que conhecemos: discretos, educados, formais na medida, mas ao mesmo tempo gentis, acolhedores e sempre prontos a oferecer um sorriso ou uma ajuda quando solicitados. É uma hospitalidade que não se impõe — ela simplesmente acontece, silenciosa e constante, como quem ensina o valor da delicadeza. (Agora, o trânsito... esse sim é outra história!)

Às portas da última semana na Colômbia

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Já nos aproximando da última semana em terras colombianas, resolvemos aproveitar a estada para realizar um pequeno sonho: conhecer o famoso “mar do Caribe” — que, aliás, não é exatamente um mar, mas sim o Oceano Atlântico. Depois de algumas pesquisas no YouTube e em blogs de viagem, descartamos a primeira opção que costuma vir à mente quando se fala em Caribe colombiano: Cartagena. A cidade é indicada como belíssima, cheia de história e cultura, mas percebemos que as praias ali não são exatamente aquelas de cartão-postal — de areia branca e mar turquesa — e que as melhores ficam mais afastadas, exigindo outra logística. Como nossa intenção era descansar e curtir dias tranquilos à beira-mar, deixamos Cartagena para uma próxima vez. Pensamos então em Santa Marta, com suas praias lindas e natureza exuberante. Mas a proposta da cidade parecia mais voltada para aventuras, trilhas e mergulhos — e o que queríamos, como já dissemos, era sossego, sombra e água fresca. Foi aí que surgiu a opção ...