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Mostrando postagens de outubro, 2025

Perder-se para encontrar

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Há quem diga que uma boa viagem pede  perdas : que o viajante possa se  desorientar  para, assim, topar com o  inesperado . Descobrir exige ir além do que se conhece. Foi assim conosco. Digitamos “ Candelaria ” no aplicativo — pensando no bairro histórico do centro de Bogotá — e fomos parar  bem longe , em  Candelaria la Nueva , periferia pouco frequentada por turistas. O engano virou oportunidade: vimos um pedaço da  cidade profunda  e conhecemos um projeto social impressionante de  transporte urbano  — dezenas de  teleféricos  que sobem e descem os morros, conectando os bairros aos  terminais rodoviários . Uma cartografia de cabos e cabines tecendo acessos e encurtando distâncias. A viagem é  vida e morte ao mesmo tempo : estreias e despedidas, encontros e partidas. Há movimento, mas, acima de tudo,  transformação  — no que carregamos, no que abandonamos, no modo como chegamos e no modo como partimos....

Mesa-redonda com editores — UNIMINUTO - juntos somos mais fortes!

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Realizamos, na UNIMINUTO, uma mesa-redonda com professores que também são editores de periódicos acadêmicos. Tive a alegria de compor a mediação da conversa com a  professora Olivia Medeiros Neta (UFRN) , focando  estratégias de visibilidade, impacto e colaboração  para fortalecer nossa  rede de revistas acadêmicas . Ao longo do diálogo, foi ficando claro que  nossos desafios são muito parecidos : fluxo editorial e prazos, avaliação por pares, indexação, financiamento, comunicação científica multilíngue, formação de conselhos e ampliação de redes de autores/as e pareceristas. Essa constatação lembrou aquela ideia, atribuída a Freud, de que  quando a “miséria” deixa de parecer individual e se reconhece como coletiva, há algum alívio  — e, no nosso caso, também  aprendizado compartilhado . Saímos com uma síntese simples e potente:  juntos somos mais fortes  — para qualificar processos,  aumentar a visibilidade sem perder a missão públ...

Tensões e contradições em movimento

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  Chamou minha atenção a pressão demográfica na Isla de San Andrés. São cerca de  90 mil habitantes , sem contar o  fluxo constante de turistas  que chega o ano inteiro. Esse adensamento gera um  saturamento dos recursos . Dois pontos saltam aos olhos:  água  e  lixo . Mesmo com investimentos públicos em  dessalinização , a ilha segue no fio da navalha entre a demanda e a oferta de água. O manejo de resíduos também se torna um desafio numa área pequena e cercada de mar — tudo que entra precisa de destino, e nem sempre há para onde ir. Ao mesmo tempo, a  economia local  parece aquecida: comércio cheio, serviços girando, e  muitos voos  pousando e decolando diariamente. A ilha vive uma  contradição contemporânea : de um lado, a exigência do  crescimento econômico ; de outro, os  limites ecológicos  — poluição, esgotamento de recursos, impactos sobre o cotidiano dos moradores. Fica a pergunta que me acompa...

San Andrés — o funk brasileiro na ilha

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  As músicas brasileiras que mais ouvimos na Isla de San Andrés foram funk. É curioso como o funk do Brasil se internacionalizou — não só por ação de agentes culturais, imagino, mas por ressonância com gostos que já circulam pelas Américas e pelo mundo. Mais curioso ainda: durante muito tempo (inclusive eu!) tratamos o funk como “vulgar”, “pouco elaborado”, “não refinado”. Puro preconceito. Nas artes não existe “mais nobre” ou “menos arte” nesses termos. A história já mostrou isso: foi assim com o samba, com os violonistas, com as rodas de berimbau, com tantas esculturas e linguagens populares. Posso até continuar não curtindo o gênero, mas o funk brasileiro — tão peculiar — cumpre uma missão que dá orgulho nacional. Mesmo que não seja para todos.

Sobre perdão, reconciliação e esperançar: a experiência da UNIMINUTO – campus Perdomo

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Para compreender melhor a experiência vivida na UNIMINUTO – campus Perdomo, é importante contextualizar algumas questões históricas, culturais e políticas da Colômbia. De modo semelhante ao restante da América do Sul e da América Central, o país carrega as marcas de uma colonização violenta — não apenas no momento da chegada dos espanhóis, mas ao longo de todo o processo de ocupação posterior. As relações com os povos originários, as disputas por terras e riquezas naturais e a consequente exclusão das populações mais pobres deixaram cicatrizes profundas, que ainda hoje se fazem sentir. A esse quadro histórico somou-se um fenômeno particularmente complexo: o narcotráfico. A Colômbia é um dos maiores produtores de cocaína do mundo, e essa realidade desencadeou uma teia de disputas, controles e contracontroles, envolvendo inclusive forças paramilitares organizadas sob o próprio patrocínio do Estado. O resultado é uma sociedade profundamente marcada por tensões, deslocamentos e violências ...

Bogotá (ou melhor, a Colômbia)

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Bogotá — ou, por que não dizer, a Colômbia inteira — é um lugar cativante. Faltando ainda uma semana para voltar, já começo a sentir saudades. É um tipo de encantamento sutil, quase sub-reptício, que se infiltra aos poucos, sem alardes... exatamente como os colombianos que conhecemos: discretos, educados, formais na medida, mas ao mesmo tempo gentis, acolhedores e sempre prontos a oferecer um sorriso ou uma ajuda quando solicitados. É uma hospitalidade que não se impõe — ela simplesmente acontece, silenciosa e constante, como quem ensina o valor da delicadeza. (Agora, o trânsito... esse sim é outra história!)

Às portas da última semana na Colômbia

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Já nos aproximando da última semana em terras colombianas, resolvemos aproveitar a estada para realizar um pequeno sonho: conhecer o famoso “mar do Caribe” — que, aliás, não é exatamente um mar, mas sim o Oceano Atlântico. Depois de algumas pesquisas no YouTube e em blogs de viagem, descartamos a primeira opção que costuma vir à mente quando se fala em Caribe colombiano: Cartagena. A cidade é indicada como belíssima, cheia de história e cultura, mas percebemos que as praias ali não são exatamente aquelas de cartão-postal — de areia branca e mar turquesa — e que as melhores ficam mais afastadas, exigindo outra logística. Como nossa intenção era descansar e curtir dias tranquilos à beira-mar, deixamos Cartagena para uma próxima vez. Pensamos então em Santa Marta, com suas praias lindas e natureza exuberante. Mas a proposta da cidade parecia mais voltada para aventuras, trilhas e mergulhos — e o que queríamos, como já dissemos, era sossego, sombra e água fresca. Foi aí que surgiu a opção ...

Sobre Perdomo (UNIMINUTO)

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Paulo Freire dizia que uma boa arquitetura é algo pedagógico, porque educa a partir da experiência de habitar. A estética, nesse sentido, é também ética — pois é da ordem da  estima , da  autoestima . Foi com esse espírito, ou pelo menos inspirado por ele, que nasceu o projeto da UNIMINUTO no campus de Perdomo, localizado em Ciudad Bolívar — um bairro periférico de Bogotá que abriga uma população vulnerável, pertencente aos estratos 0, 1, 2 e 3. Falamos um pouco mais sobre o bairro na postagem " Um projeto de Universidade encantador - UNIMINUTO em Perdomo ". O prédio da UNIMINUTO em Perdomo é belíssimo. Mas o que mais impressiona não é apenas a arquitetura moderna ou a fachada elegante: é o modo como o espaço materializa uma concepção curricular profundamente inovadora. O currículo é flexível; os estudantes vivenciam atividades integradas entre ciência, arte e esporte. Há espaços para brincar, descansar, criar e conviver. E, talvez por se sentirem acolhidos e valorizados, os ...

Mais um domingo de pedal

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Mais um domingo de pedal — dessa vez, tivemos a honra de ser convidados pela família Barrera. Foi um dia maravilhoso. Além de conhecer um pouco mais da bela Bogotá e explorar o  Mercado de las Pulgas  de Usaquén, acabei torrando os braços sob o sol, já que, teimosamente, não usei o protetor solar que Lucimar havia me oferecido. Um castigo merecido para um domingo surpreendentemente ensolarado! Mas o que mais me impressionou foi vivenciar, de forma tão concreta, a incrível mobilidade sobre duas rodas que a cidade oferece. As ciclovias e ciclofaixas se entrelaçam por praticamente toda Bogotá, criando uma verdadeira rede viva de movimento e convivência. Aos domingos, a capital se transforma: ruas e avenidas são dedicadas exclusivamente às atividades de lazer e esporte — ficam assim até as 14h. Há gente de bicicleta (muita gente!), de patins, correndo, caminhando… famílias inteiras, jovens, idosos — todos tomam as ruas com uma alegria tranquila. A cena me lembrou as praias brasile...

Sobre o Marketing Científico

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Uma das atividades desenvolvidas nesta missão foi estabelecer um contraste entre duas revistas acadêmicas:  Práxis Pedagógica  (UNIMINUTO – Colômbia) e  REVASF  (UNIVASF – Brasil). A partir dessa comparação, busquei identificar dificuldades, mas também reconhecer potencialidades em cada uma delas. Entre as várias virtudes da  Práxis Pedagógica , algo me chamou especialmente a atenção: a estratégia que seus editores denominam  marketing científico . Trata-se, basicamente, das ações pensadas para dar visibilidade e alcance às produções publicadas — mas aqui com um diferencial notável. Os colegas colombianos têm desenvolvido um trabalho admirável, que confere ao termo “marketing” um sentido ético e inclusivo. A proposta não se resume à busca por métricas ou números de acesso; trata-se de um esforço consciente para ampliar o público leitor, fazer circular o conhecimento e garantir que a informação chegue a quem realmente precisa dela. Em outras palavras, o mark...

Veias Abertas e Sonhos de Bolívar

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Quando estava no doutorado no Canadá, voltei a ler  As veias abertas da América Latina , do uruguaio Eduardo Galeano. Essa releitura me marcou profundamente. O livro desperta um reconhecimento doloroso — uma tomada de consciência sobre nossas condições históricas de violência, exploração e colonização, que não pertencem apenas ao passado: ainda hoje somos, em muitos sentidos, subjugados por elas. Essa relação entre o Sul e o Norte, marcada por desigualdades estruturais, também pode ser fonte de força e resistência. Há uma potência em afirmar o que somos, em transformar a ferida em marca e a marca em identidade — numa espécie de fortalecimento simbólico do Sul global. Talvez por isso eu sinta tanta ressonância entre o espírito de  As veias abertas da América Latina  e o projeto que hoje me envolve aqui, na Colômbia: a constituição de redes e o fortalecimento das revistas acadêmicas latino-americanas (estamos também em parceria com Portugal, Espanha e alguns países de Áfric...

Dia do Amor e da Amizade na Colômbia (sábado de setembro)

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 Pegamos um Uber logo cedo. O motorista, sorridente e falante, nos avisou:  “No Dia do Amor e da Amizade, os colombianos gostam de amanhecer o dia.” Não demorou muito para eu entender o que ele queria dizer. Depois de uma noite de sono entrecortado — entre risadas vindas da rua e músicas que pareciam não ter hora para acabar — pensei comigo mesmo que poderia acrescentar algo à sabedoria do motorista: além de amanhecer o dia, os colombianos gostam mesmo é de cantar juntos... e de cantar alto, com uma alegria que parece contagiar o próprio amanhecer.