Sobre Perdomo (UNIMINUTO)


Paulo Freire dizia que uma boa arquitetura é algo pedagógico, porque educa a partir da experiência de habitar. A estética, nesse sentido, é também ética — pois é da ordem da estima, da autoestima. Foi com esse espírito, ou pelo menos inspirado por ele, que nasceu o projeto da UNIMINUTO no campus de Perdomo, localizado em Ciudad Bolívar — um bairro periférico de Bogotá que abriga uma população vulnerável, pertencente aos estratos 0, 1, 2 e 3. Falamos um pouco mais sobre o bairro na postagem "Um projeto de Universidade encantador - UNIMINUTO em Perdomo".






O prédio da UNIMINUTO em Perdomo é belíssimo. Mas o que mais impressiona não é apenas a arquitetura moderna ou a fachada elegante: é o modo como o espaço materializa uma concepção curricular profundamente inovadora. O currículo é flexível; os estudantes vivenciam atividades integradas entre ciência, arte e esporte. Há espaços para brincar, descansar, criar e conviver. E, talvez por se sentirem acolhidos e valorizados, os alunos cuidam da universidade como quem cuida da própria casa. Como disse muito bem Lucimar, “eles se sentem em casa na UNIMINUTO”.



Passar o dia em Perdomo foi uma das experiências mais marcantes da viagem — uma verdadeira imersão em uma proposta educativa viva e coerente. Descobrimos que os alunos também têm acesso a cursos de línguas estrangeiras, inclusive português. Tivemos o prazer de participar de uma conversa com a turma de português, junto a dois professores brasileiros que lecionam lá. Foi um encontro encantador: Lucimar e eu falamos um pouco sobre nossas trajetórias, sobre o Brasil, contamos curiosidades e respondemos perguntas cheias de afeto e curiosidade.



No intervalo do almoço, fizemos uma breve incursão pelo bairro e almoçamos em um restaurante popular. Foi um mergulho em uma Bogotá profunda — aquela que o turista comum raramente conhece.

À tarde, dedicamo-nos às entrevistas e à produção de vídeos ligados ao projeto de fortalecimento das redes de periódicos da América Latina. Um dia intenso, bonito e cheio de sentido — daqueles que reafirmam a educação como um ato de amor, de encontro e de fé no humano.

E ao fim do dia, ao olhar mais uma vez para aquele edifício que parecia pulsar junto com o bairro, pensei em Freire novamente: educar é também arquitetar esperanças. Cada parede, cada pátio, cada olhar acolhedor em Perdomo parecia dizer o mesmo — que a pedagogia não se ensina apenas em palavras, mas se constrói, silenciosa e solidariamente, nas formas de habitar o mundo.

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