Latinidade: explosões afetivas?!
Como não poderia deixar de ser, por conta dessa latinidade tão presente na América do Sul e na América Central (na América do Norte temos o México e a parte francesa do Canadá - afinal os quebequenses são latinos, ainda que não concientes disso), o povo colombiano — ao menos aqueles com quem tenho tido contato — se mostra muito simpático e educado no trato pessoal. É comum ouvir sempre um “bom dia”, “mucho gusto”, “gracias”, acompanhado de expressões de respeito como “señor”, “señora” ou “caballero”. Essa cordialidade no convívio cotidiano é algo que chama bastante atenção.
No entanto, esse traço contrasta fortemente com o trânsito da cidade: motoristas impacientes, buzinas constantes e pouca tolerância. Penso que a situação só não é mais violenta devido à grande quantidade de redutores de velocidade e controles eletrônicos espalhados pelas vias.
Essa ambiguidade entre a delicadeza nas relações pessoais e a rudeza no trânsito parece revelar uma contradição própria da vida urbana em Bogotá — e talvez até de muitas grandes cidades latino-americanas. Claro, minha percepção ainda é limitada, mas arrisco dizer que esse contraste pode ser, ele mesmo, uma característica cultural interessante: a convivência de cordialidade e tensão, de gentileza e impaciência, que coexistem em suas intensidades no mesmo espaço social.


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