Não precisamos de muito para sermos felizes
Estou hospedado em um lugar bem simples: um loft de cerca de 30 m², localizado em um bairro (Normandia) de trabalhadores e de classe média. Aqui, os estratos sociais são numerados de 0 a 6, e eu diria que estou situado entre os estratos 2 e 3. Claro que, mesmo em um bairro como Normandia, dependendo da quadra, encontram-se também moradias do estrato 4.
A região é marcada por pequenos comércios, conjuntos habitacionais e empresas de médio porte, como pequenas fábricas e oficinas. É um bairro tranquilo, e já começo a reconhecer algumas pessoas — e elas a mim. Esse reconhecimento recíproco significa um pequeno início de participação na vida cotidiana do lugar.
Outro aspecto curioso é a dinâmica calma das ruas, mesmo cercadas por grandes avenidas e pelo constante pousar e decolar de aviões — afinal, o aeroporto de Bogotá, considerado o maior da América Latina (em termos de fluxo de vôos), fica bem próximo.Aqui levo uma vida simples, e é justamente nessa simplicidade que volto a me dar conta de que não precisamos de muito para sermos felizes. Naturalmente, as condições básicas precisam estar asseguradas — moradia, comida, segurança, contato humano. Mas, garantido isso, percebo como meu cotidiano se mantém frugal e tranquilo. Pela manhã, depois de um “tinto” (café preto), começo a trabalhar. Às vezes saio para tomar o desayuno, outras vezes preparo no próprio loft. Com frequência almoço em um restaurante bem simples ao lado, frequentado por trabalhadores da região: a refeição vem sempre acompanhada de sopa e suco, além do prato principal — tudo isso por cerca de R$ 20,00.
Quando não tenho compromissos na universidade, passo a tarde trabalhando no loft ou aproveito para caminhar. E, quando estou mais animado, caminho cerca de 50 minutos até o Jardim Botânico ou o Parque Simón Bolívar. São lugares incríveis para apreciar a natureza, praticar atividades físicas ou simplesmente ler um livro.



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