O barato do confronto cultural: lição gadameriana
Um dos maiores baratos de uma viagem de imersão cultural é justamente vivenciar as diferenças e semelhanças, as aproximações e os distanciamentos que sempre surgem, em maior ou menor grau, no encontro intercultural. Digo confronto (com - em frente) não no sentido de briga, mas no de estar diante do outro, em face a face.
Entre brasileiros e colombianos, por exemplo, há muitas proximidades: a latinidade que compartilhamos, seja do ponto de vista linguístico, histórico ou mesmo político, cria uma base de reconhecimento. Ao mesmo tempo, as diferenças se impõem de forma contundente, revelando singularidades. O mesmo aconteceria em um “confronto” cultural com japoneses: haveria tanto elementos de aproximação quanto de distanciamento.
Aliás, mesmo entre pessoas de uma mesma cultura, esse jogo de diferenças e semelhanças se manifesta. Basta entrarmos nas peculiaridades individuais para percebermos que cada sujeito traz um mundo próprio.
É nesse movimento — entre o que nos aproxima e o que nos distancia — que se dá a perplexidade de conhecer o outro e, com isso, também a nós mesmos. Se ficamos apenas no “igual”, na proximidade, perdemos a riqueza do confronto cultural. Se, por outro lado, nos fixamos apenas no “diferente”, no distanciamento, corremos o risco de estagnar no estranhamento.
Esse equilíbrio é uma lição profundamente gadameriana: o diálogo como princípio, a fusão de horizontes como possibilidade de compreensão.
(É claro que há situações em que esses confrontos parecem se apagar, como quando pessoas estabelecem relações de confluência. Mas aí entramos em um outro campo de análise, que pede reflexões específicas.)

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