O tempo que desacelera
A manhã nasceu silenciosa, e eu permaneci recolhido no loft. Terceiro dia em Bogotá. O tempo correu entre artigos, revisões e mensagens que se acumulavam como ondas em maré alta. Concluí, com uma colega, um texto sobre saúde mental no contexto universitário e, entre uma pausa e outra, avancei também nos bastidores da Revasf. Havia ainda uma articulação especial: uma reunião com Lisandro, pesquisador que se dedica à internacionalização de periódicos, parceiro de tantos outros editores do Vale do São Francisco.
Quando a manhã se despedia, resolvi dar-me um presente: caminhar até o Jardim Botânico. A longa travessia pelas ruas de Bogotá já era, por si só, uma experiência. Cheguei ao parque com a alma desacelerada. Não sei se foi a exaustão da caminhada ou a beleza exuberante do lugar, mas havia uma sensação rara de repouso, como se o tempo tivesse decidido sentar-se ao meu lado. Voltei ao loft já eram quase quatro da tarde, exausto, e desabei na cama.
Antes, porém, um ritual: sentei-me em um restaurante popular e pedi uma sopa simples — milho, batata e frango. Aqui, tudo parece passar pelo “pollo”. A sopa não alimentou muito, mas foi suficiente para devolver um pouco de energia e abrir espaço para outra busca: a de uma refeição mais robusta.
Saí então pelas ruas tranquilas do bairro. Em Bogotá, muitas casas são sobrados; a parte de baixo, frequentemente, se transforma em pequenos comércios. Essa mistura dá ao espaço um ar de vizinhança íntima, quase doméstica, mesmo na imensidão da cidade. As avenidas principais ficam para o barulho; ali, nas ruas menores, reina a calma.
Foi nesse compasso que encontrei o “Bigode”, um restaurante especializado em parrilla. O nome arrancou-me um sorriso, talvez pela simplicidade, talvez pelo inesperado. Pedi um prato generoso e sorvi uma boa cerveza colombia. O preço? Surpreendentemente justo. A sensação? De estar, finalmente, em outro tempo.


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