Sentido e percebendo a cidade



Bogotá, capital da Colômbia, é uma metrópole de cerca de 8 milhões de habitantes situada a 2.600 metros de altitude. O clima varia bastante ao longo do dia: as manhãs podem começar frias, com 8 °C, e, algumas horas depois, o sol pode elevar a temperatura para 20 °C — sem contar a possibilidade de chuva repentina.

Minhas primeiras impressões, sempre marcantes em uma viagem, foram curiosas. Apesar de ser uma grande capital, que concentra a principal malha aérea da América do Sul, Bogotá transmite um ritmo relativamente tranquilo quando comparada ao Rio de Janeiro ou a São Paulo. A paisagem urbana é composta, em sua maioria, por casas em formato de sobrados, muitas vezes com pequenos comércios funcionando nas próprias garagens.

Embora a cidade não seja tão limpa quanto poderia ser, chama a atenção o uso reduzido de plásticos nos mercados e feiras. Até mesmo os sacos de lixo vendidos nos supermercados são fabricados com material biodegradável. Outro detalhe curioso: é comum que as bebidas em lata sejam vendidas sem copo, o que difere bastante dos costumes brasileiros.

Ao lado da vitalidade urbana, há enormes desigualdades e pobreza significativa. Catadores de lixo e famílias vivendo sob viadutos — muitos transformam as carroças em espécie de casa — revelam marcas duras da exclusão social. Soma-se a isso a chamada arquitetura hostil: em vários viadutos colocam pedras pontiagudas para impedir que pessoas se abriguem ali. Essa cena me fez lembrar o trabalho de Padre Júlio Lancellotti, referência na denúncia desse tipo de prática.







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A chegada de Lucimar

Em missão e em imersão: Sobre a origem da viagem